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Um salão coletivo vazio, com bancos e janelas gradeadas, na prisão

Presos de Robben Island que chegaram ao poder: os presos políticos que viraram presidentes, ministros e juízes

Andrea SemonellaPor Andrea Semonella Atualizado em 14 min de leitura

Em resumo

Conferimos, nome por nome, quais presos políticos de Robben Island ocuparam depois altos cargos do Estado. Na África do Sul encontramos 19: três presidentes (Nelson Mandela, Kgalema Motlanthe e Jacob Zuma), nove ministros, cinco vice-ministros, quatro premiês provinciais, dois juízes e dois presidentes de casas do Parlamento, e alguns deles passaram por mais de um cargo. Outros seis ocuparam cargos na Namíbia independente. A lista completa, as fontes e o método estão logo abaixo.

Os números principais

O governo do apartheid mandava para Robben Island os homens que mais temia. Poucos anos depois que os últimos presos políticos deixaram a ilha, em maio de 1991, muitos desses mesmos homens estavam governando o país. Decidimos contá-los, com uma fonte para cada nome, cada data e cada cargo.

Estes são os números da África do Sul, considerando os presos políticos que passaram pela ilha entre 1961 e 1991 e os cargos ocupados a partir de 1994:

  • 19 ex-presos ocuparam altos cargos nacionais ou provinciais.
  • Três deles foram presidentes da África do Sul: Nelson Mandela, Kgalema Motlanthe e Jacob Zuma. Dois, Zuma e Motlanthe, também foram vice-presidentes.
  • Nove chegaram a ministro e cinco a vice-ministro.
  • Em 1994, três dos nove primeiros premiês provinciais, os chefes de governo das províncias recém-criadas, eram ex-presos de Robben Island: Raymond Mhlaba no Cabo Oriental, Mosiuoa Lekota no Estado Livre e Tokyo Sexwale em Gauteng.
  • O primeiro ministério de Mandela, empossado em maio de 1994, tinha três ministros que haviam passado pela ilha: Mac Maharaj, Steve Tshwete e Jeff Radebe.
  • Jeff Radebe, preso na ilha até 1990, ficou 25 anos seguidos no ministério, de 1994 a 2019, à frente de seis pastas diferentes.

Robben Island também recebeu presos da SWAPO, o movimento que lutava contra o domínio sul-africano sobre a Namíbia. Seis deles ocuparam cargos depois da independência namibiana, em 1990, entre eles Andimba Toivo ya Toivo, que dividiu a seção B com Mandela.

O pátio da seção B da prisão de segurança máxima

O pátio da seção B, onde ficavam os líderes dos movimentos de libertação

A lista completa: África do Sul

A tabela mostra, para cada pessoa, os anos passados em Robben Island, a pena que a levou para lá e os cargos que ocupou depois. Os anos na ilha são os informados pelas fontes que citamos; quando uma fonte dá só a duração da pena, avisamos. Mandela também passou cerca de duas semanas na ilha em 1963, antes da condenação no Julgamento de Rivonia.

Ex-presos políticos de Robben Island que ocuparam altos cargos na África do Sul depois de 1994. Verificado em 14 de outubro de 2026.
NomeEm Robben IslandPenaCargos depois da prisão
Nelson Mandela1964-1982Prisão perpétua, Julgamento de RivoniaPresidente, 1994-1999
Jacob Zuma1963-197310 anos, conspiração para derrubar o governoVice-presidente, 1999-2005; presidente, 2009-2018
Kgalema Motlanthe1977-198710 anos, Terrorism ActMinistro da Presidência, 2008; presidente, 2008-2009; vice-presidente, 2009-2014
Govan Mbeki1964-1987Prisão perpétua, Julgamento de RivoniaVice-presidente do Senado, 1994-1997
Raymond Mhlaba1964-1982Prisão perpétua, Julgamento de RivoniaPremiê do Cabo Oriental, 1994-1997; alto-comissário em Uganda a partir de 1997
Mac Maharaj1965-197612 anos, sabotagemMinistro dos Transportes, 1994-1999
Steve Tshwete1964-197815 anos, sabotagemMinistro do Esporte, 1994-1999; ministro da Segurança, 1999-2002
Mosiuoa LekotaLibertado no fim de 19826 anos, Terrorism ActPremiê do Estado Livre, 1994-1996; presidente do Conselho Nacional das Províncias (NCOP), 1997-1999; ministro da Defesa, 1999-2008
Tokyo Sexwale1978-199018 anos, julgamento dos "Doze de Pretória"Premiê de Gauteng, 1994-1998; ministro dos Assentamentos Humanos a partir de 2009
Jeff Radebe1986-199010 anos, reduzidos para 6 em recursoMinistro, 1994-2019, em seis pastas
Sbu NdebelePena de 10 anos, preso em 197610 anosPremiê de KwaZulu-Natal, 2004-2009; ministro dos Transportes e depois dos Serviços Penitenciários, 2009-2014
Collins Chabane1984-19906 anos, terrorismoMinistro da Presidência a partir de 2009; ministro do Serviço Público, até 2015
Mosibudi Mangena1973-19785 anos, Terrorism ActVice-ministro da Educação, 2001-2004; ministro da Ciência e Tecnologia, 2004-2009
Ebrahim Ismail Ebrahim1964-197915 anos, sabotagemVice-ministro das Relações Internacionais, 2009-2014
Mluleki GeorgeA partir de 19785 anosVice-ministro da Defesa, 2004-2008
Peter MokabaInício dos anos 1980, pena suspensa em 1984Atividade clandestina para o MKVice-ministro do Meio Ambiente e Turismo no governo Mandela
Sfiso ButheleziAté 1991Não divulgadaVice-ministro das Finanças, 2017-2018; da Agricultura, 2018-2019
Dikgang Moseneke1963-197310 anos, militância no PACJuiz do Tribunal Constitucional, 2002-2016; vice-presidente do tribunal (Deputy Chief Justice), 2005-2016
Fikile Bam1964-197410 anosPresidente da Land Claims Court, 1995-2011

Alguns nomes que você talvez esperasse ficaram de fora de propósito. Walter Sisulu, na ilha de 1964 a 1982, foi vice-presidente do ANC, um cargo de partido, não de Estado. Ahmed Kathrada e Andrew Mlangeni viraram deputados, e Kathrada também foi assessor parlamentar do presidente Mandela: papéis importantes, mas fora das categorias que contamos. A seção sobre como montamos esta lista explica os critérios que usamos.

Quem virou presidente, ministro e juiz

Por tipo de cargo, os ministros formam o maior grupo, e os ex-presos da ilha chegaram a todos os poderes do Estado, da Presidência ao Tribunal Constitucional.

Ex-presos de Robben Island em altos cargos na África do Sul, por tipo de cargo
  • Ministros9 pessoas
  • Vice-ministros5 pessoas
  • Premiês provinciais4 pessoas
  • Presidentes3 pessoas
  • Vice-presidentes2 pessoas
  • Presidentes de casas do Parlamento2 pessoas
  • Juízes2 pessoas
  • Embaixadores e altos-comissários1 pessoa

Contagem nossa, com base nas fontes citadas neste artigo. Uma mesma pessoa pode ter ocupado mais de um tipo de cargo, por isso a soma das barras passa de 19.

Os dois que presidiram casas do Parlamento são Govan Mbeki, vice-presidente do Senado de 1994 a 1997, e Mosiuoa Lekota, que presidiu o Conselho Nacional das Províncias (NCOP) de 1997 a 1999. Lekota é o único da lista que foi premiê provincial, presidente de uma casa do Parlamento e ministro.

As estátuas de Albert Luthuli, Desmond Tutu, F.W. de Klerk e Nelson Mandela na Nobel Square

Mandela entre as estátuas dos Nobel da Paz na Nobel Square, no V&A Waterfront

Os 19 sul-africanos, um a um

Nelson Mandela

Retrato de Nelson Mandela

Condenado à prisão perpétua no fim do Julgamento de Rivonia, Mandela chegou à ilha em 13 de junho de 1964 e saiu em 31 de março de 1982, transferido para a prisão de Pollsmoor. Foi libertado da prisão Victor Verster em 11 de fevereiro de 1990 e tomou posse como presidente em 10 de maio de 1994. Os anos dele na ilha têm uma página própria: Nelson Mandela em Robben Island.

Jacob Zuma

Retrato de Jacob Zuma

Zuma foi condenado a dez anos por conspirar para derrubar o governo. O registro da prisão citado pelo jornal IOL o identifica como preso 1/5268, admitido em 30 de dezembro de 1963 e libertado em 29 de dezembro de 1973. Foi vice-presidente de 1999 a 2005 e presidente de maio de 2009 até renunciar, em fevereiro de 2018.

Kgalema Motlanthe

Retrato de Kgalema Motlanthe

Preso em abril de 1976 e condenado com base no Terrorism Act, a lei antiterrorismo do apartheid, Motlanthe ficou na ilha de julho de 1977 a abril de 1987. Assumiu a Presidência em setembro de 2008, passou o cargo a Zuma em maio de 2009 e foi vice-presidente dele até 2014.

Govan Mbeki

Retrato de Govan Mbeki

Um dos réus do Julgamento de Rivonia condenados à prisão perpétua em 1964. Govan Mbeki ficou na ilha até ser libertado, em 5 de novembro de 1987, e de 1994 a 1997 foi vice-presidente do Senado. Era o pai de Thabo Mbeki, que nunca ficou preso na ilha: tinha partido para o exílio em 1962.

Mac Maharaj

Retrato de Mac Maharaj

Preso em julho de 1964 e condenado a 12 anos por sabotagem, Maharaj chegou a Robben Island em janeiro de 1965 e foi libertado em dezembro de 1976. Foi ministro dos Transportes do governo Mandela de 1994 a 1999 e, de 2011 a 2015, porta-voz do presidente Zuma.

Mosiuoa "Terror" Lekota

Retrato de Mosiuoa "Terror" Lekota

Preso em 1974 com outros integrantes da South African Students' Organisation, Lekota foi condenado a seis anos e deixou a ilha no fim de 1982. Depois de 1994 foi o primeiro premiê do Estado Livre, presidiu o Conselho Nacional das Províncias e foi ministro da Defesa de 1999 a 2008. Morreu em 4 de março de 2026.

Tokyo Sexwale

Retrato de Tokyo Sexwale

Condenado a 18 anos no julgamento dos "Doze de Pretória", Sexwale ficou em Robben Island até 9 de junho de 1990. Foi o primeiro premiê de Gauteng, a província de Joanesburgo e Pretória, e a partir de 2009 ministro dos Assentamentos Humanos.

Jeff Radebe

Retrato de Jeff Radebe

Preso em 1986, Radebe foi condenado a dez anos, pena reduzida para seis em recurso. Na ilha, chefiou o departamento político do ANC entre os presos e saiu em 1990, depois de liderar uma greve de fome de 12 dias. De 1994 a 2019 foi ministro sem interrupção: Obras Públicas, Empresas Públicas, Transportes, Justiça, Presidência e Energia.

Ebrahim Ismail Ebrahim

Retrato de Ebrahim Ismail Ebrahim

Condenado a 15 anos por sabotagem, Ebrahim ficou na ilha de 1964 a fevereiro de 1979. De 2009 a 2014 foi vice-ministro das Relações Internacionais e Cooperação.

Dikgang Moseneke

Retrato de Dikgang Moseneke

Moseneke era o mais jovem desta lista quando foi preso. Detido aos 15 anos, cumpriu dez anos em Robben Island. Foi nomeado para o Tribunal Constitucional em 2002 e, de 2005 até se aposentar, em 2016, foi o vice-presidente do tribunal, com o título de Deputy Chief Justice. A carreira dele está descrita na página do Tribunal Constitucional sobre os antigos juízes.

Raymond Mhlaba

Outro réu de Rivonia condenado à prisão perpétua, Mhlaba foi transferido da ilha para Pollsmoor junto com Mandela em 31 de março de 1982. Em 1994 se tornou o primeiro premiê do Cabo Oriental e, em 1997, alto-comissário em Uganda, o equivalente a embaixador entre países da Commonwealth.

Steve Tshwete

Tshwete cumpriu 15 anos na ilha e foi libertado, segundo a South African History Online, em 1978. Em 1994 foi o primeiro a ocupar o Ministério do Esporte e Lazer do país e, em 1999, ministro da Segurança, cargo que ocupava quando morreu, em abril de 2002.

Sbu Ndebele

Preso em 1976, Sibusiso "Sbu" Ndebele passou dez anos em Robben Island. Foi premiê de KwaZulu-Natal de 2004 a 2009, entrou no governo nacional como ministro dos Transportes em 2009 e, a partir de 2012, foi ministro dos Serviços Penitenciários, a pasta que administra as prisões sul-africanas.

Collins Chabane

Preso em 1984 e condenado a seis anos por terrorismo, Chabane cumpriu a pena em Robben Island e foi libertado em 1990. A partir de 2009 foi ministro da Presidência e, depois, ministro do Serviço Público e da Administração, cargo que ocupava quando morreu, em 15 de março de 2015.

Mosibudi Mangena

O único da lista que militava na Organização do Povo Azaniano (Azanian People's Organisation, AZAPO). Condenado a cinco anos com base no Terrorism Act, Mangena ficou na ilha de outubro de 1973 a 2 de outubro de 1978. Foi vice-ministro da Educação a partir de 2001 e, de 2004 a 2009, ministro da Ciência e Tecnologia.

Mluleki George

George foi condenado a cinco anos e mandado para Robben Island em 1978. De 2004 a 2008 foi vice-ministro da Defesa, ao lado do ministro Mosiuoa Lekota, outro ex-preso da ilha.

Peter Mokaba

Mokaba foi condenado por atividade clandestina para o Umkhonto we Sizwe, o braço armado do ANC, e ficou em Robben Island até a pena ser suspensa, em 1984. No governo do presidente Mandela, foi vice-ministro do Meio Ambiente e Turismo; a fonte que usamos não informa os anos.

Sfiso Buthelezi

Buthelezi esteve entre os últimos presos políticos da ilha, onde ficou até 1991; a biografia oficial do governo não informa a pena. Foi vice-ministro das Finanças de 2017 a 2018 e vice-ministro da Agricultura de 2018 a 2019.

Fikile Bam

Condenado a dez anos, Bam ficou na ilha de 15 de abril de 1964 a 14 de abril de 1974. Em 1995 assumiu a presidência da Land Claims Court, o tribunal que julga os pedidos de devolução de terras, e ficou no cargo até morrer, em 18 de dezembro de 2011.

Namíbia: os presos da SWAPO

A partir de 1968, Robben Island também recebeu namibianos condenados por participar da luta da SWAPO contra o domínio sul-africano. Depois da independência da Namíbia, em 1990, seis deles ocuparam cargos no governo ou na diplomacia do país.

Presos da SWAPO detidos em Robben Island que ocuparam cargos na Namíbia independente. Verificado em 14 de outubro de 2026.
NomeEm Robben IslandPenaCargos depois da prisão
Andimba Toivo ya Toivo1968-198420 anos, Terrorism ActMinistro de Minas e Energia, do Trabalho e depois das Prisões, 1990-2005
Jerry Ekandjo1973-1980Condenado em 1973Ministro de várias pastas, até 2018
John Pandeni1978-1985Não divulgadaMinistro do Governo Regional e Local, 2005-2008
Petrus IilongaAté 1985Não divulgadaVice-ministro de várias pastas, 2000-2015
Marten Kapewasha1974-1981Não divulgadaVice-ministro a partir de 1994; alto-comissário nas Seychelles, 2011
Ben UlengaAté 198515 anos, Terrorism ActVice-ministro nos anos 1990; alto-comissário no Reino Unido, até 1998

As fontes públicas sobre os presos namibianos são menos completas do que as dos sul-africanos: de alguns não encontramos a pena, e preferimos indicar isso na tabela a preencher a lacuna com suposições.

Andimba Toivo ya Toivo

Retrato de Andimba Toivo ya Toivo

O líder da SWAPO foi condenado em Pretória, em 1968, a 20 anos com base no Terrorism Act. Em Robben Island ficou na seção B com Mandela e Sisulu, e foi libertado em março de 1984. Na Namíbia independente foi ministro de Minas e Energia, depois do Trabalho e, por fim, das Prisões e Serviços Penitenciários.

Ben Ulenga

Retrato de Ben Ulenga

Condenado em 1977 a 15 anos com base no Terrorism Act, Ulenga foi libertado em 1985. Nos anos 1990 foi vice-ministro e depois alto-comissário no Reino Unido, até renunciar, em 27 de agosto de 1998.

Jerry Ekandjo

Ekandjo entrou em Robben Island em 13 de dezembro de 1973 e saiu em 15 de fevereiro de 1980. Na Namíbia independente foi ministro de várias pastas, entre elas a do Governo Regional e Local, até deixar o governo em fevereiro de 2018.

John Pandeni

Segundo o Parlamento da Namíbia, Pandeni ficou preso em Robben Island de 1978 a 1985. De 2005 a 2008 foi ministro do Governo Regional e Local.

Petrus Iilonga

Iilonga saiu de Robben Island em 7 de abril de 1985. De 2000 a 2015 foi vice-ministro em vários governos namibianos.

Marten Kapewasha

Kapewasha passou de 1974 a 1981 em Robben Island. Virou vice-ministro em 1994 e, em 2011, alto-comissário da Namíbia nas Seychelles.

Uma torre de vigia de pedra ao lado da cerca da prisão de Robben Island

Uma guarita de pedra ao lado da cerca da prisão

Da prisão ao poder, ano a ano

  1. 1963

    Jacob Zuma e Dikgang Moseneke começam a cumprir penas de dez anos na ilha.

  2. 1964

    Mandela e os condenados de Rivonia chegam em 13 de junho.

  3. 1968

    Toivo ya Toivo é condenado a 20 anos e mandado para Robben Island.

  4. 1977

    Kgalema Motlanthe chega à ilha em julho.

  5. 1990

    Mandela é libertado em 11 de fevereiro; Sexwale deixa a ilha em junho.

  6. 1991

    Em maio, os últimos presos políticos deixam Robben Island.

  7. 1994

    Mandela assume a Presidência; três ex-presos da ilha entram no seu ministério.

  8. 2002

    Dikgang Moseneke é nomeado para o Tribunal Constitucional.

  9. 2008

    Kgalema Motlanthe assume a Presidência em setembro.

  10. 2009

    Jacob Zuma assume a Presidência em maio, com Motlanthe como vice.

  11. 2019

    Jeff Radebe deixa o governo depois de 25 anos.

Como visitar as celas onde eles ficaram presos

As celas onde a maioria desses homens cumpriu pena fazem parte da visita padrão do Robben Island Museum. Depois do ferry que sai do Nelson Mandela Gateway e de uma volta de ônibus pela ilha, você percorre a prisão de segurança máxima até a seção B, onde ficaram Mandela, Sisulu, Mbeki e Toivo ya Toivo. A parte da prisão muitas vezes é guiada por um ex-preso político. A visita inteira leva entre 3h30 e 4 horas, com as travessias.

Você pode reservar o ferry com visita à prisão na Tiqets a partir de € 42,50. Esse ingresso não pode ser cancelado; se os seus planos podem mudar, o ingresso flexível de € 65 pode ser cancelado ou remarcado sem custo até 24 horas antes. Sobre a prisão em si, as seções e o dia a dia dos presos, leia o nosso guia da prisão de Robben Island; para a longa história da ilha, veja a história de Robben Island.

Como montamos esta lista

Esta lista foi montada e conferida em 14 de outubro de 2026. Só incluímos uma pessoa quando uma fonte pública confiável confirmava duas coisas: que ela esteve em Robben Island como presa política entre 1961 e 1991, os anos da prisão política do apartheid, e que depois ocupou um dos cargos listados abaixo.

Os cargos que contamos são: presidente e vice-presidente; ministro e vice-ministro; premiê provincial; presidente de uma casa do Parlamento; juiz de um tribunal superior; embaixador ou alto-comissário. Para a Namíbia, os mesmos cargos no governo nacional depois da independência, em 1990. Não contamos deputados, cargos de partido, secretários dos governos provinciais (os MECs), prefeitos nem assessores: são numerosos demais para conferir todos, e a lista deixaria de ser comparável.

As nossas fontes principais são a South African History Online, que publica biografias e, para muitos presos, as datas de entrada e saída de Robben Island; a Nelson Mandela Foundation; o diretório do governo sul-africano e a Presidência; o Tribunal Constitucional; o Departamento de Relações Internacionais e Cooperação; e, para a Namíbia, o Parlamento namibiano e os jornais New Era e The Namibian. Guardamos uma fonte para cada nome, e as principais estão linkadas neste artigo.

Esta lista não é um registro completo. Mais de 3.000 presos políticos passaram pela ilha, e algumas carreiras posteriores estão mal documentadas. Deixamos de fora várias pessoas cuja passagem pela ilha ou cujo cargo não conseguimos confirmar numa fonte confiável. Se você tem documentos sobre um nome que ficou de fora, mande para nós: vamos conferir e acrescentar. Você pode citar esta lista com um link para esta página.

Presos de Robben Island: perguntas frequentes

Quais presidentes da África do Sul ficaram presos em Robben Island?

Três: Nelson Mandela, na ilha de 1964 a 1982 e presidente de 1994 a 1999; Jacob Zuma, preso de 1963 a 1973 e presidente de 2009 a 2018; e Kgalema Motlanthe, preso de 1977 a 1987 e presidente de setembro de 2008 a maio de 2009.

Thabo Mbeki ficou preso em Robben Island?

Não. Thabo Mbeki deixou a África do Sul e partiu para o exílio em 1962. O Mbeki de Robben Island era o pai dele, Govan Mbeki, condenado à prisão perpétua no Julgamento de Rivonia, libertado em 1987 e vice-presidente do Senado de 1994 a 1997.

Quantos presos de Robben Island viraram ministros?

Na África do Sul contamos nove ex-presos de Robben Island que chegaram a ministro e cinco que foram vice-ministros (Mosibudi Mangena foi as duas coisas). Na Namíbia, Andimba Toivo ya Toivo, Jerry Ekandjo e John Pandeni foram ministros.

Algum preso de Robben Island virou juiz?

Sim, dois. Dikgang Moseneke, preso aos 15 anos e condenado a dez anos na ilha, foi juiz do Tribunal Constitucional de 2002 a 2016 e, a partir de 2005, vice-presidente do tribunal, com o título de Deputy Chief Justice. Fikile Bam, na ilha de 1964 a 1974, presidiu a Land Claims Court de 1995 a 2011.

Quem era o preso mais jovem desta lista?

Dikgang Moseneke. Segundo o Tribunal Constitucional, ele foi preso aos 15 anos e cumpriu os dez anos de pena inteiros em Robben Island. Anos depois chegou a Deputy Chief Justice, o número dois do Judiciário sul-africano.

Ainda dá para conhecer um ex-preso em Robben Island?

Muitas vezes, sim. Na visita padrão, a parte da prisão costuma ser guiada por um ex-preso político, mas não em todos os grupos, porque esses homens hoje já são idosos. Você pode reservar o ferry com visita à prisão na Tiqets a partir de € 42,50.

Posso usar esta lista no meu trabalho?

Pode. Basta citar a lista com um link para esta página. Cada nome se apoia em fontes públicas, como South African History Online, a Nelson Mandela Foundation e as páginas do governo sul-africano, e o método está explicado na seção "Como montamos esta lista".

Andrea Semonella

Andrea SemonellaNascido e criado em Gênova, na Itália, é cofundador da Benicool, que publica guias independentes dos grandes lugares de cultura do mundo. Já viajou por todos os continentes e conta como visitar esses lugares aproveitando bem o tempo e o dinheiro.

Retratos recortados e em preto e branco: Mandela, Kingkongphoto & www.celebrity-photos.com, 1994, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons; Zuma, Etienne Ansotte, 2012, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons; Motlanthe, Jesse B. Awalt, 2009, domínio público, via Wikimedia Commons; Govan Mbeki, polícia sul-africana, 1963, domínio público, via Wikimedia Commons; Maharaj, Richter Frank-Jurgen, 2014, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons; Lekota, R. D. Ward, U.S. Department of Defense, 2000, domínio público, via Wikimedia Commons; Sexwale, Chris Bloom, 2007, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons; Radebe, Frank Schwichtenberg, 2017, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons; Ebrahim, Australian Department of Foreign Affairs and Trade, 2013, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons; Moseneke, Nasdaq23, 2013, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons; Toivo ya Toivo, Namibia Media Initiative, 2012, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons; Ulenga, Namibia Media Initiative, 2013, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.

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