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Robben Island vista do alto na Table Bay, com a Table Mountain e a Cidade do Cabo atrás

História de Robben Island: cinco séculos numa pequena ilha da Table Bay

Andrea SemonellaPor Andrea Semonella Atualizado em 19 min de leitura

Em resumo

A história de Robben Island vai do primeiro desembarque registrado, em 1498, até o museu de hoje. A partir de 1615, holandeses e depois britânicos usaram a ilha para desterrar presos; ela foi leprosário de 1845 a 1931, defendeu a Cidade do Cabo na Segunda Guerra Mundial e, de 1961 a 1991, foi a prisão dos presos políticos da África do Sul do apartheid. Virou museu em 1997 e patrimônio mundial da UNESCO em 1999.

Por que Robben Island é famosa

Robben Island é uma ilha plana e baixa da Table Bay, a baía da Mesa, a pouco menos de 7 km de Bloubergstrand e a cerca de 11 km da Cidade do Cabo. O ponto mais alto, Minto's Hill, não passa de 24 metros acima do mar. Vista do V&A Waterfront, parece um risco fino no horizonte. Aqui está ela no mapa, com a Cidade do Cabo do outro lado da baía:

Robben Island na Table Bay

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O mundo conhece a ilha por causa da prisão. De 1961 a 1991, o governo do apartheid manteve ali os seus presos políticos, os homens que mais temia. Nelson Mandela passou na ilha 18 dos seus 27 anos de prisão, e outros dois futuros presidentes da África do Sul, Jacob Zuma e Kgalema Motlanthe, cumpriram dez anos cada um. Os ex-presos que depois viraram ministros, governadores de província ou juízes estão na nossa lista dos presos de Robben Island.

Só que a prisão é apenas o capítulo mais recente. Por mais de três séculos antes dela, a ilha foi o lugar para onde os governantes do Cabo mandavam quem eles queriam longe: rebeldes, exilados, condenados e, mais tarde, doentes. Essa longa história como lugar de isolamento explica por que a ilha pesa tanto para a África do Sul de hoje e por que a UNESCO a incluiu na sua lista. O gráfico mostra quanto durou cada uma das grandes fases da ilha.

Quanto durou cada fase de Robben Island
  • Prisão e lugar de desterro, de 1615 a 1846231 anos
  • Enfermaria e leprosário, de 1845 a 193186 anos
  • Área militar, de 1936 a 196125 anos
  • Prisão política do apartheid, de 1961 a 199130 anos
  • Robben Island Museum, de 1997 até hoje29 anos até agora

Fontes: Robben Island Museum, UNESCO. Algumas fases se sobrepõem: os primeiros doentes de hanseníase chegaram em 1845, um ano antes de a prisão antiga fechar, e a prisão dos presos comuns ficou aberta até 1996.

Uma montanha submersa

Do ponto de vista geológico, a ilha é o topo de uma montanha submersa, ligada a Blouberg, no continente, por uma crista submarina. As rochas da base se formaram há cerca de 800 a 900 milhões de anos, no delta de um rio antigo. Há uns 12.000 anos o mar subiu e abriu o canal que separou a ilha do continente. Ferramentas de pedra encontradas a oeste da prisão mostram que havia gente vivendo na região muito antes da chegada do primeiro navio.

Por que a ilha se chama Robben Island?

O nome é holandês: robben quer dizer focas no holandês antigo, e os primeiros marinheiros batizaram a ilha por causa das focas que viam nas pedras. Por isso muitos brasileiros a chamam também de ilha Robben. Durante a travessia de barco, ainda dá para ver lobos-marinhos-do-cabo na água.

Robben Island e a Table Mountain no horizonte, vistas da praia de Bloubergstrand

Robben Island e a Table Mountain (Montanha da Mesa) vistas de Bloubergstrand

De Bartolomeu Dias aos holandeses: de 1488 a 1806

A história europeia da ilha costuma começar em 1488, quando Bartolomeu Dias se tornou o primeiro navegador a dobrar o cabo. O Robben Island Museum é cauteloso nesse ponto: não se sabe se Dias ou os seus homens chegaram a pisar na ilha. O primeiro desembarque registrado veio dez anos depois, em 1498, quando um grupo de marinheiros portugueses se abrigou ali, dormiu numa caverna e bebeu água da nascente da ilha.

Despensa e correio dos navios de passagem

Nos 150 anos seguintes, a ilha foi um ponto de abastecimento. Em 1503, Antônio de Saldanha e os seus homens se fartaram de pinguins, focas e tartarugas. Em 1601, o capitão inglês James Lancaster deixou ali seis ovelhas e dois carneiros para socorrer os estrangeiros que chegassem depois ("for the relief of strangers that might come thither"), e capitães holandeses e ingleses seguiram o exemplo. Os marinheiros também escondiam cartas na ilha para o navio seguinte recolher: ela funcionava como uma agência de correio.

Os primeiros khoikhoi a viver na ilha foram por vontade própria. Em 1632, Autshumato, chefe dos Strandlopers, os khoikhoi que viviam do que a praia oferecia, pediu para ser levado para lá com cerca de 20 seguidores, longe dos grupos rivais e com focas e pinguins para comer. Ele ficou, com idas e vindas, até mais ou menos 1640, acendendo fogueiras de sinal para os navios que queriam deixar ou pegar cartas.

Os primeiros presos

Os primeiros condenados chegaram em 1615: dez presos ingleses, liderados por John Cross, que tinham sido deixados no Cabo, foram atacados ali e pediram para ser levados para a ilha, onde estariam mais seguros. Quando Jan van Riebeeck fundou o entreposto holandês do Cabo, em 1652, a ilha virou fazenda e pedreira: em março de 1654, quatro ou cinco homens foram instalados ali para cuidar de ovelhas e de uma horta, e em maio de 1657 escravizados e desterrados foram mandados para cortar a sua pedra branca. No mesmo mês, uma mulher escravizada chamada Eva, ao que tudo indica vinda de Madagascar, tornou-se a primeira mulher presa na ilha.

Em 10 de julho de 1658, Autshumato estava de volta, desta vez à força: os holandeses o deixaram na ilha com dois companheiros, Jan Cou e Boubo, para que ele parasse de criar atritos entre os khoikhoi e o entreposto. O museu os considera os primeiros presos políticos da ilha. A sobrinha dele, Krotoa, que os holandeses chamavam de Eva e que era a principal intérprete do entreposto, foi desterrada para lá em 1669 e morreu na ilha em 1674.

Os exilados das Índias Orientais

A partir de 1682, a Companhia Holandesa das Índias Orientais usou a ilha para os líderes que resistiam a ela na Ásia. O príncipe de Macassar foi o primeiro exilado das Índias Orientais, em novembro de 1682. Em 1744, os tribunais de Batávia mandaram os primeiros líderes religiosos muçulmanos, Said Aloeurie e Hadjee Mattaram, para passar ali o resto da vida acorrentados. O príncipe de Madura, desterrado nos anos 1740 por liderar a resistência à expansão holandesa, morreu na ilha em 1754; o corpo foi devolvido ao filho e está enterrado em Jacarta. O Moturu Kramat, o santuário de cúpula verde que o homenageia, fica a oeste da prisão; segundo o museu, o prédio atual foi reconstruído pelos presos em 1967.

O mais influente desses exilados foi Tuan Guru, um príncipe de Tidore, preso de 1780 a 1793. Na ilha ele escreveu um livro de direito islâmico que se tornou a principal referência da comunidade muçulmana do Cabo no século 19, e depois de solto virou o primeiro imã-chefe do Cabo.

O primeiro registro de presos da ilha, de 1728, lista 42 detentos: 26 europeus e 16 "Indiaanen", o termo holandês para todos os presos não brancos. Em 1789 eles já eram 134. Nenhum prédio holandês sobreviveu inteiro, mas a Jan van Riebeeck Quarry, aberta em 1652 para extrair a ardósia usada na construção da Cidade do Cabo, foi explorada com trabalho forçado por cerca de 300 anos, até 1963.

A época britânica: exilados, fugas e um farol

A Grã-Bretanha ficou com o Cabo em 1806 e continuou usando a ilha do mesmo jeito, como lugar de desterro. Entre 1806 e 1808 construiu um novo povoado na ponta sul, onde o vilarejo está até hoje; em 1833 havia uma casa para o comandante, quartéis, uma padaria, uma ferraria, oficinas e espaço para cerca de 200 presos. Por alguns anos funcionou ali também uma estação baleeira, que fechou em 1820.

A maioria dos presos políticos dessa época era formada por líderes africanos que tinham combatido o avanço colonial na fronteira: khoikhoi, xhosa e korana. O líder khoikhoi David Stuurman fugiu apenas quatro meses depois de chegar, foi recapturado dez anos mais tarde e escapou de novo em 1820.

O preso mais conhecido desse período é Makhanda, também chamado Nxele ou Makana, um profeta e líder de guerra xhosa que aconselhava o chefe Ndlambe e comandou o ataque a Grahamstown em 1819. Depois da derrota, ele se entregou e, no fim de 1819, foi mandado para Robben Island. Alguns relatos falam em prisão perpétua; a biografia de Makhanda no SA History Online lembra que ele nunca foi julgado. Em agosto de 1820, ele tentou fugir: o barco virou perto de Bloubergstrand e ele morreu afogado. O chefe xhosa Maqoma também foi desterrado na ilha, com a mulher, Katyi, por 21 anos.

Os britânicos deixaram ainda os prédios mais marcantes da ilha. A Garrison Church, no vilarejo, foi construída em 1841 com mão de obra dos presos. O farol de Minto's Hill foi erguido em 1864, depois do naufrágio do Forfarshire, um dos mais de 70 naufrágios registrados em volta da ilha, e aceso em 1865. Continua funcionando e dá um lampejo a cada sete segundos. Em 1892 foi instalada uma pequena linha de trilhos entre o galpão dos barcos e os armazéns, com vagonetes puxados por mulas.

O farol de Minto's Hill acima da vegetação rasteira de Robben Island
O farol de Minto's Hill, aceso em 1865
Os restos enferrujados de um navio na costa rochosa de Robben Island
O casco enferrujado de um navio na costa rochosa da ilha

O leprosário de Robben Island, de 1845 a 1931

Em 1844, o secretário colonial John Montagu propôs transferir para a ilha os abrigos do Cabo para doentes de hanseníase e indigentes, além dos internos do hospício da Cidade do Cabo, porque ali eles custariam menos aos cofres públicos. Em 1846 a prisão antiga fechou, e os seus prédios viraram uma enfermaria geral, a General Infirmary, para três grupos: doentes de hanseníase, doentes crônicos e doentes mentais. Os primeiros doentes de hanseníase chegaram no fim de 1845, vindos de Hemel-en-Aarde, perto de Caledon, e em janeiro de 1846 vieram outros de Port Elizabeth. Em maio de 1847 havia 194 pacientes: 72 doentes crônicos, 68 doentes mentais e 54 doentes de hanseníase. Nos primeiros anos, portanto, os doentes de hanseníase eram o menor dos três grupos da enfermaria.

Pacientes em Robben Island em maio de 1847
  • Doentes crônicos72
  • Doentes mentais68
  • Doentes de hanseníase54

Fonte: Robben Island Museum. Total: 194 pacientes.

A página do museu sobre os primeiros anos da enfermaria a descreve mais como um lugar de exclusão do que de cura ("a place of exclusion"). O atendimento médico e a comida eram ruins, os próprios pacientes tinham de cuidar de boa parte da enfermagem e da lavagem de roupa, e eram separados por raça, classe e sexo, décadas antes de a segregação virar política oficial nos hospitais do continente. O hospital dos doentes crônicos fechou em 1892, e em 1921 os doentes mentais foram tirados da ilha: só ficaram os doentes de hanseníase.

A Leprosy Repression Act, de 1891, tornou o isolamento obrigatório. A partir daí, o diagnóstico significava, por lei, ser mandado para a ilha, e em 1892 ela era o único leprosário da Colônia do Cabo. Os doentes não aceitaram calados: em 1892 os homens entregaram às autoridades uma petição contra a lei, e em 1893 as mulheres entraram em greve, recusando-se a limpar os pavilhões e a mandar a roupa para a lavanderia.

O leprosário fechou em 1931, por causa do custo e porque novos hospitais, separados por raça, tinham sido abertos no continente. Segundo o Robben Island Museum, os últimos doentes foram levados para o hospital de Westfort, em Pretória; o SA History Online diz que foram para hospitais do Cabo. Dos cerca de 170 prédios que havia na ilha em 1931, uns 90 eram pavilhões de doentes de hanseníase, que foram demolidos e queimados por medo de contágio.

A igreja do Bom Pastor

Esta igrejinha de pedra, a Church of the Good Shepherd, é o único prédio que restou do leprosário. Foi projetada por Sir Herbert Baker e construída em 1895 pelos próprios doentes. Era só para homens e não tinha bancos. Abandonada em 1931, foi consagrada de novo como igreja da Marinha em 1942 e restaurada em 2001; ainda é usada em celebrações especiais.

O cemitério dos leprosos

Ao norte da igreja, o cemitério dos leprosos se estende quase até os muros da prisão de segurança máxima: quando abriram as valas da prisão, nos anos 1960, apareceram ossos humanos. É uma das primeiras paradas do ônibus, e para muitos visitantes é ali que cai a ficha de que a história da ilha não começou em 1961.

Nem todos os mortos da ilha eram doentes. Ao pé de Minto's Hill fica o Irish Cemetery, usado até 1923 para funcionários e moradores: depois da Grande Fome da batata, tantos irlandeses se fixaram aqui, trabalhando na enfermaria e no vilarejo, que a ilha ganhou o apelido de "Irish Town".

A igreja de pedra do Bom Pastor, construída em 1895 por doentes de hanseníase
A igreja do Bom Pastor, construída em 1895 por doentes de hanseníase
Lápides atrás da placa do cemitério dos leprosos, em Robben Island
Lápides atrás da placa do cemitério dos leprosos

A Segunda Guerra Mundial: canhões sobre a Table Bay

De 1931 a 1960, pela única vez na sua história moderna, a ilha não foi prisão. Um diário oficial, a Government Gazette de 22 de maio de 1936, a reservou para fins militares ("for military purposes"), e de 1939 a 1945 ela fez parte da defesa costeira da União Sul-Africana.

A primeira posição de artilharia ficou pronta em abril de 1940: o canhão de 6 polegadas da Cornelia Battery, que cobria o canal em direção a Blouberg. Depois veio a De Waal Battery, com canhões de 9,2 polegadas instalados entre novembro de 1940 e julho de 1941. Em volta deles foram construídos bunkers subterrâneos e, entre 1940 e 1942, um campo de pouso com duas pistas de 700 metros. A partir de junho de 1941, uma estação de desmagnetização perto do porto protegia os navios contra as minas magnéticas alemãs: estima-se que as equipes da Marinha tenham atendido 4.451 navios durante a guerra. Também são da guerra as primeiras grandes obras de Murray's Bay Harbour, onde o barco atraca hoje.

A ilha foi ainda um campo de treinamento. Mais de 400 mulheres passaram pela sua escola de artilharia, e cerca de 2.000 homens do Cape Corps aprenderam a operar os canhões longe dos olhos do público, porque a linha oficial era que homens negros não deviam ser armados. Os canhões nunca dispararam contra um navio inimigo.

Os bunkers continuam lá, e o ônibus passa em frente a eles. Um dos prédios da guerra teria depois um papel mais sombrio: um antigo posto de higiene militar virou a casa onde Robert Sobukwe foi mantido isolado. Em 24 de março de 1961, o Departamento de Prisões, o Department of Prisons, assumiu a ilha, que até então estava com o Exército.

O nome veio das focas; a memória, de quem ficou preso ali.

Robben Island durante o apartheid, de 1961 a 1996

Em 1961 o governo do apartheid voltou a transformar a ilha em prisão. Construiu uma prisão de segurança máxima para os presos políticos e outra de segurança média para os presos comuns, e obrigou os próprios presos a erguê-las, com pedra das pedreiras da ilha.

Os líderes dos movimentos de libertação ficavam na seção B do bloco de isolamento. Nelson Mandela chegou em 13 de junho de 1964, depois do Julgamento de Rivonia, com Walter Sisulu, Ahmed Kathrada e os outros condenados do processo. Ficou até 31 de março de 1982. Os presos da seção B trabalhavam na pedreira de cal, e o primeiro rascunho da autobiografia de Mandela, Longa caminhada até a liberdade, foi escondido na horta da seção B.

Robert Sobukwe, líder do Pan Africanist Congress, foi mantido longe de todos: de 1963 a 1969 viveu sozinho numa casa afastada da prisão, proibido de falar com qualquer pessoa. A detenção dele era renovada todo ano com base num dispositivo conhecido como Sobukwe Clause.

Os primeiros anos foram brutais: trabalho forçado nas pedreiras, comida racionada conforme a raça, calça curta para os presos africanos, cartas censuradas e visitas atrás de um vidro. As coisas só começaram a melhorar depois que cerca de mil presos entraram em greve de fome, em 1966. Depois do levante de Soweto, em junho de 1976, chegou uma nova leva de presos jovens e radicalizados. Os presos namibianos da SWAPO, que lutavam contra a ocupação do seu país pela África do Sul, ficaram na ilha de 1968 até serem libertados, em 1984.

Os últimos presos políticos saíram em maio de 1991. A prisão dos presos comuns fechou em 1996. Em 1982, Indres Naidoo publicou Island in Chains, o primeiro livro de memórias sobre a vida naquela prisão.

Se você quer a história completa das celas, das seções e da rotina, leia o nosso guia da prisão de Robben Island. Os dezoito anos de Mandela, do número de preso à cela, estão em Nelson Mandela em Robben Island.

Arame farpado e uma torre de vigia em volta da prisão, com a cúpula verde do Moturu Kramat atrás

Arame farpado e uma torre de vigia, com a cúpula do Moturu Kramat

Museu em 1997, patrimônio da UNESCO em 1999

Em 1995, quatro anos depois da saída dos últimos presos políticos, um grupo de ex-presos liderado por Mandela voltou à ilha para um reencontro. Na entrada da pedreira de cal eles ergueram um monte de pedras, o isisivane, em memória da vida que levaram na prisão e do trabalho forçado. Ele continua lá.

Em 1997 a ilha foi declarada monumento nacional e passou a ser o Robben Island Museum, que a administra desde então. Dois anos depois, em dezembro de 1999, na 23ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, a UNESCO a inscreveu na lista do patrimônio mundial com o número 916. Foi o primeiro lugar que a África do Sul apresentou como candidato.

Por que Robben Island é patrimônio mundial?

A UNESCO incluiu a ilha por dois critérios culturais, o (iii) e o (vi), e a decisão do Comitê do Patrimônio Mundial justifica os dois. Pelo critério (iii), os prédios da ilha são um testemunho eloquente da sua história sombria ("bear eloquent witness to its sombre history"). Pelo critério (vi), Robben Island e os seus prédios prisionais simbolizam o triunfo do espírito humano, da liberdade e da democracia sobre a opressão ("symbolize the triumph of the human spirit, of freedom, and of democracy over oppression"). Na prática, a ilha reunia duas coisas. Os seus prédios contam, num lugar só, mais de três séculos de desterro, isolamento e prisão. Além disso, nenhum outro lugar está tão ligado à luta contra o apartheid e às pessoas que acabaram com ele.

Isso também responde a uma pergunta que muita gente faz: por que Robben Island é preservada e protegida hoje. Ela não é conservada como ruína, e sim como testemunho, e boa parte desse testemunho é dado ao vivo, muitas vezes por ex-presos políticos que hoje guiam os visitantes pela prisão.

Robben Island hoje

Hoje a ilha é ao mesmo tempo um museu, um refúgio para a fauna e um pequeno vilarejo. O Village Precinct, perto do porto, tem clube social, piscina, parquinho e a antiga Governor's House; a Guest House de 1895, que foi residência do comissário, hoje é usada para conferências. A escola construída em 1894 está fechada.

Os visitantes só chegam nos barcos do museu, que saem do Nelson Mandela Gateway, no V&A Waterfront, e atracam em Murray's Bay Harbour. Não existe visita por conta própria: você conhece a ilha num passeio guiado de ônibus e depois entra a pé na prisão. Com as travessias, a visita toda leva de 3h30 a 4 horas, e você pode reservar o ferry com a visita do museu na Tiqets. A nossa página sobre o passeio a Robben Island explica o que acontece em cada parada.

A natureza também voltou. Os pinguins-africanos se reproduzem aqui de novo desde os anos 1980, ao lado de aves marinhas e pequenos antílopes, como contamos no nosso guia dos pinguins e da fauna de Robben Island.

A história de Robben Island em datas

  1. 1488

    Bartolomeu Dias dobra o cabo; o primeiro desembarque registrado na ilha vem em 1498.

  2. 1615

    Dez condenados ingleses são os primeiros presos da ilha.

  3. 1652

    Jan van Riebeeck funda o entreposto holandês do Cabo.

  4. 1658

    Autshumato e dois companheiros, os primeiros presos políticos.

  5. 1682

    Chega o primeiro exilado das Índias Orientais, o príncipe de Macassar.

  6. 1754

    O príncipe de Madura morre na ilha; o Moturu Kramat o homenageia.

  7. 1806

    Os britânicos tomam o Cabo e mantêm a ilha como lugar de desterro.

  8. 1819

    Makhanda é mandado para a ilha; morre afogado ao tentar fugir, em 1820.

  9. 1845

    Chegam os primeiros doentes de hanseníase, vindos de Hemel-en-Aarde.

  10. 1865

    O farol de Minto's Hill é aceso.

  11. 1891

    A Leprosy Repression Act torna o isolamento obrigatório.

  12. 1895

    Doentes de hanseníase constroem a igreja do Bom Pastor.

  13. 1931

    O leprosário fecha; a ilha deixa de ser prisão até 1961.

  14. 1939-1945

    Baterias de canhões põem a ilha na defesa costeira da Cidade do Cabo.

  15. 1961

    Em 24 de março, o Departamento de Prisões assume a ilha.

  16. 1964

    Nelson Mandela chega em 13 de junho; sai em 31 de março de 1982.

  17. 1966

    Cerca de mil presos entram em greve de fome.

  18. 1991

    Em maio, saem os últimos presos políticos.

  19. 1996

    Fecha a prisão dos presos comuns.

  20. 1997

    A ilha vira monumento nacional e Robben Island Museum.

  21. 1999

    A UNESCO inscreve Robben Island na lista do patrimônio mundial.

  • 1615Primeiros presos mandados para a ilha
  • 70+Naufrágios registrados em volta da ilha
  • 20Pedreiras na ilha
  • 24 mPonto mais alto, Minto's Hill

Robben Island em dados

Alguns detalhes que quase nunca aparecem na visita.

  • Área: cerca de 5 quilômetros quadrados, um oval de mais ou menos 3,3 km de comprimento por 1,9 km de largura. As fontes dão números um pouco diferentes para a área.
  • Altitude: a ilha é plana de ponta a ponta. Minto's Hill, o ponto mais alto, fica a 24 metros acima do nível do mar.
  • Clima: o museu registra ventos mais fortes e temperaturas mais extremas que na Cidade do Cabo.
  • Três presidentes: Nelson Mandela, Kgalema Motlanthe e Jacob Zuma ficaram presos na ilha.
  • O monte de pedras: o isisivane da pedreira de cal foi erguido, pedra por pedra, por ex-presos no reencontro de 1995.
  • Fauna: já foram registradas na ilha cerca de 132 espécies de aves.
  • Naufrágios: o primeiro registrado é de 1611. O graneleiro de minério de ferro Daeyang Family bateu no recife em 1986, e um pesqueiro e um navio de salvamento que encalharam em 1998 ainda podem ser vistos da costa.
  • Pedreiras: o inventário patrimonial da ilha lista 20 pedreiras, mas só se conhece a história das três maiores: a Jan van Riebeeck, a Bluestone e a de cal.

Para ver esses lugares com os próprios olhos, reserve o ferry com visita à prisão na Tiqets a partir de € 42,50, ou o ingresso flexível de € 65, com cancelamento grátis até 24 horas antes. As outras opções, com os preços, estão na nossa página de ingressos para Robben Island.

História de Robben Island: perguntas frequentes

Qual é a história de Robben Island, em resumo?

Depois do primeiro desembarque registrado, em 1498, a ilha virou ponto de abastecimento para os navios de passagem. A partir de 1615, os holandeses e depois os britânicos mandaram para lá condenados, rebeldes e exilados; de 1845 a 1931 ela foi um leprosário; na Segunda Guerra Mundial defendeu a Cidade do Cabo; de 1961 a 1991 prendeu os presos políticos do apartheid. É museu desde 1997.

Por que Robben Island é famosa?

Porque Nelson Mandela passou ali 18 dos seus 27 anos de prisão, junto com muitos dos líderes que combateram o apartheid. Outros dois futuros presidentes, Jacob Zuma e Kgalema Motlanthe, também ficaram presos na ilha.

Por que a ilha se chama Robben Island?

O nome vem do holandês antigo: robben quer dizer focas. Os marinheiros batizaram a ilha por causa das focas que encontravam na costa.

Quando Robben Island virou patrimônio mundial?

Em dezembro de 1999, na 23ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, pelos critérios (iii) e (vi). Foi o primeiro lugar que a África do Sul apresentou como candidato à lista, dois anos depois de a ilha virar museu.

Robben Island foi um leprosário?

Foi. A partir de 1845, doentes de hanseníase eram mandados para a ilha, junto com pobres e doentes mentais. A Leprosy Repression Act, de 1891, tornou o isolamento obrigatório, e o leprosário fechou em 1931. Restam a igreja do Bom Pastor e o cemitério dos leprosos.

O que aconteceu com os doentes quando o leprosário fechou?

Em 1931 os últimos doentes foram tirados da ilha, e os pavilhões foram demolidos e queimados. Segundo o Robben Island Museum, eles foram levados para o hospital de Westfort, em Pretória; o SA History Online diz que foram para hospitais da região do Cabo, então as fontes não batem totalmente.

Quem foi o primeiro preso de Robben Island?

Segundo o Robben Island Museum, os primeiros presos foram dez condenados ingleses mandados para lá em 1615. Os primeiros presos políticos foram o líder khoikhoi Autshumato e dois companheiros, Jan Cou e Boubo, deixados na ilha pelos holandeses em 10 de julho de 1658.

Por que Robben Island é tão importante para a África do Sul?

Porque, por quase quatro séculos, foi para lá que o poder da vez mandou quem resistia a ele, dos líderes khoikhoi e xhosa aos homens que lutaram contra o apartheid. Nas palavras da UNESCO, os prédios da prisão simbolizam o triunfo do espírito humano, da liberdade e da democracia sobre a opressão.

Alguém mora em Robben Island hoje?

Sim, uma pequena comunidade vive no vilarejo perto do porto, que tem clube social, piscina e parquinho. O museu não divulga um número oficial de moradores.

Como visitar Robben Island?

Só com a visita guiada do museu: barco a partir do Nelson Mandela Gateway, no V&A Waterfront, passeio de ônibus pela ilha e visita a pé à prisão. Você pode reservar na Tiqets a partir de € 42,50, ou escolher o ingresso flexível de € 65, que pode ser cancelado ou remarcado sem custo até 24 horas antes.

Andrea Semonella

Andrea SemonellaNascido e criado em Gênova, na Itália, é cofundador da Benicool, que publica guias independentes dos grandes lugares de cultura do mundo. Já viajou por todos os continentes e conta como visitar esses lugares aproveitando bem o tempo e o dinheiro.

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