Prisão de Robben Island: os muros onde o apartheid trancou seus presos políticos
Em resumo
A prisão de Robben Island é a Maximum Security Prison, a prisão de segurança máxima onde o regime do apartheid manteve seus presos políticos dos anos 1960 até maio de 1991. Nelson Mandela passou 18 anos ali. Foram os próprios presos que a construíram, com pedra tirada das pedreiras da ilha. A prisão fechou de vez em 1996 e hoje só pode ser vista na visita guiada do Robben Island Museum, que termina diante da cela de Mandela e que você pode reservar na Tiqets.
O que foi a prisão de Robben Island
Quem fala da prisão de Robben Island está falando da Maximum Security Prison, a prisão de segurança máxima da ilha Robben, uma ilha plana da Table Bay, a baía da Mesa, a cerca de 11 km da Cidade do Cabo. Dos anos 1960 até 1991, o governo do apartheid mandou para lá os homens que mais temia: dirigentes e militantes dos movimentos de libertação, do Congresso Nacional Africano, o ANC, e do Pan Africanist Congress (PAC) ao Black Consciousness Movement e à SWAPO da Namíbia.
Em 24 de março de 1961, o Departamento de Prisões assumiu a ilha, que até então estava nas mãos do Exército, e Robben Island voltou a ter presos depois de três décadas sem nenhum. O Estado construiu duas prisões: uma de segurança máxima para os presos políticos e outra de segurança média para os presos comuns. Hoje, quando alguém fala da "prisão de Robben Island", quase sempre se refere à primeira, a que você percorre na visita do museu. A exposição on-line do museu sobre a visita à prisão calcula que passaram por ela mais de 3.000 presos políticos.
Tudo ali foi pensado para isolar. A viagem começava no Jetty 1, no porto da Cidade do Cabo, onde nos primeiros anos os presos que esperavam o barco ficavam acorrentados aos bancos, porque o galpão de zinco não tinha celas seguras. Do outro lado da baía se avistam a Cidade do Cabo e a Table Mountain (Montanha da Mesa), mas junto ao porto da ilha os próprios presos tiveram de erguer um muro alto que esconde a vista. Ao lado continuam de pé os prédios dos anos 1960 onde familiares e advogados vinham para as raras visitas.

O portão da prisão e a placa antiga: We serve with pride
O que era Robben Island antes da prisão do apartheid
A prisão do apartheid é só o último capítulo. Por mais de três séculos antes dela, a ilha já servia para isolar gente, e o museu conta todo esse tempo como uma única história de desterro.
Os primeiros condenados e os primeiros presos políticos
Segundo a página do Robben Island Museum sobre os primeiros presos, de 1615 a 1657, os primeiros mandados para a ilha foram dez condenados ingleses, em 1615. Em 1657 chegaram escravizados e desterrados para cortar a pedra branca que havia ali, e em maio do mesmo ano uma mulher escravizada chamada Eva, ao que tudo indica vinda de Madagascar, tornou-se a primeira mulher presa na ilha.
Em 10 de julho de 1658, os holandeses deixaram na ilha Autshumato, chefe do grupo khoikhoi conhecido como Strandlopers, com dois companheiros, Jan Cou e Boubo. O museu os considera os primeiros presos políticos de Robben Island. Autshumato tinha sido o intermediário entre a colônia de Jan van Riebeeck e os khoikhoi; segundo o museu, ele foi desterrado para conter os atritos entre os dois lados.
Os exilados do Oriente e o líder xhosa Makhanda
Em 1744 chegaram os primeiros líderes religiosos muçulmanos, condenados pelos tribunais de Batávia, nas Índias Orientais Holandesas. O Moturu Kramat, o santuário de cúpula verde que você vê perto da prisão, lembra outro exilado muçulmano, Sayed Abdurahman Moturu, o príncipe de Madura, que morreu na ilha em 1754.
Em 1819, o governador britânico Lord Charles Somerset mandou para Robben Island o líder xhosa Makhanda, também chamado Makana ou Nxele. Ele ficou menos de um ano na ilha antes de tentar fugir, e dizem que morreu afogado na tentativa.
Hanseníase, guerra e o intervalo de 1931 a 1960
A partir de 1845, a ilha recebeu também doentes de hanseníase, pobres e doentes mentais. O leprosário fechou em 1931. Durante a Segunda Guerra Mundial, a ilha virou uma bateria fortificada que defendia a Cidade do Cabo. Entre 1931 e 1960 ela não teve presos: é o único intervalo assim em toda a sua história moderna. A história completa, de 1488 até o museu, está na nossa página sobre a história de Robben Island.
Como a prisão foi construída e organizada
O Ou Tronk, a "cadeia velha"
Antes de existir a prisão de pedra, os presos ficavam no Ou Tronk, "cadeia velha" em africâner. No início eram cinco barracões compridos de madeira da Segunda Guerra Mundial, com cozinha e banheiros, onde conviviam presos comuns e políticos. Nos anos 1960 foram acrescentados, como alojamento provisório, oito prédios de tijolo rebocado. Os homens que viviam ali extraíam, escavavam e cortavam a pedra usada para construir a prisão definitiva.
Ao lado ficava o Zink Tronk, um grande prédio retangular de chapa ondulada erguido nos anos 1960, com celas coletivas, biblioteca, banheiros e enfermaria em volta de um pátio central e uma guarita em cada canto. Mais tarde ele foi demolido.
A prisão de segurança máxima
A Maximum Security Prison foi erguida no começo dos anos 1960, a oeste de Murray's Bay Harbour. Quem a construiu foram presos políticos e comuns, com pedra e brita de duas pedreiras da ilha, a Jan van Riebeeck e a Bluestone.
O projeto era simples e duro. Quatro blocos em forma de H abrigavam as seções comuns, com celas coletivas para 52 presos cada uma. Um bloco de isolamento em forma de U tinha cerca de 90 celas individuais. Em volta ficavam um hospital, a administração, uma cozinha e um refeitório, cinco torres de vigia, uma cerca dupla de cinco metros de altura e muros de três metros entre os pátios.
- 4Seções comuns com celas para 52 presos
- cerca de 90Celas individuais no bloco de isolamento
- 5Torres de vigia
- 5 mAltura da cerca dupla
As seções A, B e C e as seções comuns
A prisão era dividida em duas. A maioria dos presos políticos vivia nas seções comuns, os blocos em H com celas coletivas, conhecidos por letras como F e G. Um número menor ficava nas celas individuais do bloco de isolamento, que em meados dos anos 1970 foi dividido em três seções.

Uma torre de vigia de pedra ao lado da cerca da prisão
A seção A
Na seção A ficavam os presos jovens do Black Consciousness Movement e do Umkhonto we Sizwe (MK), o braço armado do ANC.
A seção B, a dos líderes
A seção B, a ala leste, era conhecida como Leadership Section. Ali, em celas individuais, ficavam os líderes dos movimentos de libertação, entre eles Nelson Mandela, de 1964 a 1982. O primeiro rascunho da autobiografia de Mandela, Longa caminhada até a liberdade, foi escondido no jardim da seção B. É aqui que termina a visita do museu. Os 18 anos de Mandela nesta ala têm uma página só para eles: Nelson Mandela em Robben Island.
A seção C, "Khulukuthu"
A seção C era a de castigo. Os presos a chamavam de Khulukuthu, e era ali que se cumpriam o isolamento e as punições com dieta reduzida.

O pátio da seção B, onde ficavam os líderes da libertação
A vida lá dentro: trabalho, estudo e notícias
Trabalho forçado nas pedreiras
Os presos políticos trabalhavam nas pedreiras da ilha. A partir de 1963, os presos das seções comuns eram levados para a pedreira de cal, a Lime Quarry, no interior da ilha, atrás de Murray's Bay Harbour. Mais tarde os líderes da seção B tomaram o lugar deles ali, e as seções comuns passaram para a Bluestone Quarry. A cal servia sobretudo para recapear as estradas da ilha. A Lime Quarry é uma das paradas do ônibus durante o passeio.
Até o caminho para o trabalho era uma forma de controle. A trilha principal entre a prisão e a Bluestone Quarry era um corredor estreito, gradeado dos lados e por cima, com cães de guarda dos dois lados; ainda dá para ver os tocos dos postes. Na Bluestone Quarry, os presos também construíram um dique de pedra, cascalho e areia para segurar o mar, que uma tempestade rompeu em 2001. O trabalho forçado acabou em meados dos anos 1970, e os velhos prédios do Ou Tronk viraram oficinas onde os presos aprendiam construção, encanamento e marcenaria.
Estudar para resistir
Os presos davam aulas uns aos outros, às vezes em cursos organizados, às vezes de improviso. A campanha de alfabetização que eles criaram queria garantir que nenhum homem saísse da ilha sem saber ler e escrever, e segundo o museu acabou com o analfabetismo entre os presos em quatro anos. Em 1973, dois presos, Sonny Venkatrathnam e Kader Hassim, levaram a direção da prisão à Justiça com um argumento simples: estudo e lazer eram direitos, não privilégios. Ganharam a causa.
Alguns livros circulavam com capa falsa. Sonny Venkatrathnam tinha as obras completas de Shakespeare disfarçadas de livro religioso hindu, e o volume passou de mão em mão pela prisão inteira. Havia até aulas de biologia, de história e de outras matérias nas pedreiras, enquanto os homens trabalhavam.
Hortas, futebol e tênis
Depois de uma longa luta, os presos conseguiram permissão para plantar hortas em alguns pátios, entre eles os do bloco de isolamento, da seção D e do hospital da prisão. No pátio do hospital ainda cresce uma parreira. Com o tempo, ganharam também quatro campos de futebol e seis quadras de tênis, duas delas construídas por presos das seções A e B. O futebol era organizado pelos próprios presos, por meio da Makana Football Association, a liga que eles mesmos fundaram.
Como as notícias chegavam
Notícias de fora eram proibidas para os presos políticos. Eles as reuniam escondido e as faziam circular pela prisão, numa rede que o museu inclui entre as formas de resistência, ao lado das greves de fome, das petições, das discussões políticas e das estruturas clandestinas dos partidos.
Dividir o pouco que havia
Nas celas individuais, os presos não africanos, que recebiam mais comida e de melhor qualidade, dividiam as rações em partes iguais com todos, contrariando as regras da prisão. Os presos mantinham ainda uma espécie de caixinha coletiva, a "Kolgos box", onde juntavam comida e artigos de higiene para quem tinha menos.
Os presos ergueram os muros que os prendiam.
Como era a vida na prisão de Robben Island: comida, roupa, cartas e visitas
As regras foram escritas tanto para humilhar quanto para prender, e levavam para dentro da prisão as categorias raciais do apartheid.
Comida conforme a raça
A comida era pouca e ruim, e dependia da cor da pele. Segundo o museu, que dá as quantidades em onças (a unidade inglesa de cerca de 28 gramas), os presos brancos recebiam por dia 4 onças de fubá ou canjiquinha de milho e 7 onças de carne ou peixe. Os presos coloured, os mestiços na classificação racial do apartheid, e os indianos recebiam 14 onças de fubá ou arroz por dia e 6 onças de carne ou peixe quatro vezes por semana. Os africanos, 12 onças de fubá ou arroz por dia e só 5 onças de carne ou peixe quatro vezes por semana. Os carcereiros muitas vezes castigavam os presos tirando deles os "tickets" da refeição, e naquele dia eles passavam fome.
Roupa e cama
A roupa era o mínimo. Os presos africanos recebiam calça curta, e nenhum preso recebia roupa de baixo. Não havia camas: os homens dormiram em esteiras finas no chão de cimento até 1979. Todos os dias, os presos tinham de tirar a roupa e pular para mostrar que não escondiam nada, uma revista que os carcereiros chamavam de "tauza".
Cartas e visitas
As cartas passavam pela censura, que riscava ou recortava palavras. As visitas aconteciam no Visitors Centre, perto do porto, e eram sem contato: o preso de um lado de um vidro grosso, o visitante do outro, falando por um sistema de som. A partir de 1975, só parentes de primeiro grau podiam visitar. Os presos da categoria A só puderam ter visitas com contato a partir de 1983, em salinhas do mesmo prédio.
Estudo com restrições
Quando a violência física às claras deixou de ser permitida, as autoridades passaram a pressionar de outro jeito: interrompendo os estudos, censurando cartas e visitas, negando jornais. Em 1969, toda a pós-graduação foi suspensa, e os presos foram proibidos de estudar história, direito ou ciência política, mesmo na graduação.
Castigo e isolamento
Castigo queria dizer seção C: isolamento e dieta reduzida. Outro castigo era o Landbou, um terreno arenoso a sudoeste da prisão, perto da Lime Quarry, onde os homens eram obrigados a empurrar carrinhos de mão carregados, sem rumo, pela areia fofa, enquanto os carcereiros batiam neles. As condições pioraram de novo sob o coronel Badenhorst, comandante da prisão de 1970 a 1972.
O isolamento mais extremo nem ficava dentro da prisão. Robert Sobukwe, fundador do Pan Africanist Congress, foi mantido de 1963 a 1969 numa casinha longe das celas, um antigo prédio da Segunda Guerra Mundial. Ele não podia falar com ninguém, nem com os guardas, e a detenção era prorrogada todo ano por uma lei especial que ficou conhecida como Sobukwe Clause. A casa dele fica no roteiro do ônibus.
Como as condições mudaram
As condições mudaram, sim, mas porque os presos as forçaram a mudar. Entre 1962 e 1966 os abusos chegaram ao pior ponto, sem esporte nem lazer de nenhum tipo; em 1966, cerca de mil presos entraram em greve de fome, e a situação começou a melhorar devagar. A ação de 1973 vencida por Venkatrathnam e Hassim, que contestava também o isolamento sem audiência e a suspensão arbitrária das refeições, mudou o equilíbrio de forças entre presos e carcereiros. O museu resume o resultado assim: o tratamento foi ficando "aos poucos mais humano", com direito a estudo, hortas, esporte e, por fim, camas.


Os presos mais famosos de Robben Island
A lista dos homens que passaram por Robben Island conta boa parte da história da África do Sul moderna. Três deles chegaram à Presidência do país, e muitos outros viraram ministros, governadores de província ou juízes: a nossa lista dos presos de Robben Island que chegaram ao poder cita um por um.
Nelson MandelaPreso 466/64, na ilha de 1964 a 1982
Walter SisuluCondenado no Julgamento de Rivonia, na ilha de 1964 a 1982
Robert SobukweFundador do PAC, isolado de 1963 a 1969
Jacob ZumaNa ilha de 1963 a 1973, presidente de 2009 a 2018
Kgalema MotlantheNa ilha de 1977 a 1987, presidente de 2008 a 2009
Herman Toivo ja ToivoLíder da SWAPO, libertado em 29 de fevereiro de 1984
Onde Nelson Mandela ficou preso? Aqui, como o preso 466/64
De todas as prisões por onde passou, foi em Robben Island que Nelson Mandela ficou mais tempo. Ele chegou em 13 de junho de 1964, na noite seguinte à condenação à prisão perpétua no fim do Julgamento de Rivonia, e ficou até 31 de março de 1982, quando foi transferido para a prisão de Pollsmoor, no continente: 18 dos seus 27 anos de cadeia. O número 466/64 queria dizer que ele era o 466º preso a chegar em 1964, como lembra a Nelson Mandela Foundation no relato da chegada dele à ilha. Mandela já tinha passado pela ilha uma vez, por cerca de duas semanas, em 1963. A cela, a Lime Quarry e o reencontro de 1995 estão contados em detalhe na página sobre os anos de Mandela em Robben Island.
Walter Sisulu, Ahmed Kathrada e os condenados de Rivonia
Com Mandela chegaram seis homens condenados no mesmo julgamento: Walter Sisulu, Ahmed Kathrada, Govan Mbeki, Raymond Mhlaba, Elias Motsoaledi e Andrew Mlangeni. O oitavo, Denis Goldberg, era branco e foi mandado para uma prisão em Pretória. Sisulu, Mhlaba e Mlangeni foram transferidos para Pollsmoor com Mandela em 1982, e Kathrada foi atrás deles em outubro.
Robert Sobukwe
O fundador do Pan Africanist Congress ficou sozinho numa casa da ilha de 1963 a 1969, proibido de falar com qualquer pessoa. A casa dele fica no roteiro do ônibus.
Jacob Zuma e Kgalema Motlanthe
Dois futuros presidentes da África do Sul. Zuma passou dez anos na ilha, de dezembro de 1963 a dezembro de 1973; Motlanthe, outros dez, de julho de 1977 a abril de 1987. Motlanthe foi presidente de 2008 a 2009, e Zuma de 2009 a 2018.
Herman Toivo ja Toivo e os presos namibianos
Robben Island também prendeu namibianos da SWAPO, o movimento que lutava contra a ocupação da Namíbia pela África do Sul. O primeiro grupo, detido em 1968 e condenado à prisão perpétua, ficou no Zink Tronk, um dos prédios mais insalubres da ilha, onde alguns pegaram tuberculose. O líder deles, Toivo ja Toivo, ficou na seção B com Mandela; uma foto do museu de 1977 mostra os dois cuidando da horta lado a lado, durante uma das raras visitas da imprensa. Toivo foi libertado em 29 de fevereiro de 1984, depois de cumprir 16 anos de uma pena de 20, e no começo se recusou a sair sem os companheiros. Os outros presos namibianos saíram em maio de 1984.
Antes do apartheid: Autshumato, Tuan Guru, Makhanda e Maqoma
Entre os presos mais antigos da ilha estão Autshumato, mantido ali pelos holandeses a partir de 1658; Tuan Guru, príncipe de Tidore que depois se tornou o primeiro imã-chefe do Cabo, preso de 1780 a 1793, período em que escreveu um livro de direito islâmico; o líder xhosa Makhanda, mandado para lá em 1819; e o chefe xhosa Maqoma, desterrado na ilha com a mulher, Katyi, por 21 anos. O museu inclui todos eles na mesma longa história de prisão política.
Basta comparar quanto tempo alguns deles passaram na ilha para entender como uma pena ali podia ser longa.
- Maqoma, chefe xhosa21 anos
- Nelson Mandela18 anos (1964-1982)
- Tuan Guru13 anos (1780-1793)
- Jacob Zuma10 anos (1963-1973)
- Kgalema Motlanthe10 anos (1977-1987)
- Robert Sobukwe6 anos (1963-1969)
Fontes: Robben Island Museum, Nelson Mandela Foundation, SA History Online. No caso de Mandela não entram as duas semanas na ilha em 1963.

A luz entra pelas janelas gradeadas da prisão
A prisão de Robben Island em doze datas
- 1615
Dez condenados ingleses são os primeiros presos mandados para a ilha.
- 1658
Os holandeses prendem Autshumato, o primeiro preso político.
- 1819
Os britânicos mandam para a ilha o líder xhosa Makhanda.
- 1961
O governo do apartheid volta a transformar a ilha em prisão.
- 1964
Em 13 de junho chegam Nelson Mandela e os outros condenados de Rivonia.
- 1966
Cerca de mil presos entram em greve de fome.
- 1979
Chegam as camas; até então os presos dormiam em esteiras.
- 1982
Em 31 de março, Mandela é transferido para a prisão de Pollsmoor, no continente.
- 1984
Os presos políticos namibianos são libertados.
- 1991
Em maio, os últimos presos políticos deixam Robben Island.
- 1996
Fecha a prisão dos presos comuns.
- 1997
Robben Island vira museu; a UNESCO a declara patrimônio mundial em 1999.

Pavilhões atrás do arame farpado: nenhum preso desde 1996
Quando a prisão de Robben Island fechou?
Em duas etapas. Os últimos presos políticos saíram de Robben Island em maio de 1991, pouco mais de um ano depois de Mandela deixar a prisão Victor Verster, em 11 de fevereiro de 1990. A prisão de segurança média, a dos presos comuns, continuou aberta até 1996.
Em 1997 a ilha virou o Robben Island Museum e monumento nacional. Em 1999 a UNESCO a incluiu na lista do patrimônio mundial, o primeiro lugar que a África do Sul apresentou como candidato. Então, não: Robben Island não é mais uma prisão, e desde 1996 não teve nenhum preso. Também não é a única prisão que virou museu: de Alcatraz à prisão Hoa Lo, em Hanói, o nosso comparativo de prisões que viraram museu mostra quanto custa visitar cada uma.
A prisão de segurança média
Era a outra metade do sistema, a menos conhecida: ali cumpriam pena os presos comuns, condenados por crimes comuns e não pelas suas ideias. Ela durou cinco anos a mais que a prisão política. O prédio, na ponta norte do vilarejo, é da Segunda Guerra Mundial e recebeu presos comuns a partir do fim dos anos 1960, atrás de muros de 3 metros com arame farpado no alto. Hoje é um centro educativo, com sala de palestras, ateliê de arte e alojamento. A visita do museu é toda montada em torno da prisão de segurança máxima, e é essa que você vai percorrer.

Arame farpado e uma torre de vigia, com a cúpula do Moturu Kramat
Como visitar a prisão hoje
Só existe um jeito de entrar: a visita guiada do Robben Island Museum. O barco sai do Nelson Mandela Gateway, no V&A Waterfront, e atraca em Murray's Bay Harbour. De lá, ônibus levam você pela ilha, passando pelo cemitério dos leprosos, pela Lime Quarry, pela casa de Robert Sobukwe e pela Bluestone Quarry. A última parte é a pé, dentro da prisão de segurança máxima, e termina na seção B, diante da cela de Mandela. Com as duas travessias, a visita toda leva de 3h30 a 4 horas. Contamos cada parada no nosso guia do passeio a Robben Island.
A visita à prisão começa aqui, em terra firme, na área da Clock Tower do Waterfront:
Nelson Mandela Gateway, de onde sai o barco para a prisão
Abrir no Google MapsQuem mostra a prisão
Dentro da prisão, o guia muitas vezes é um ex-preso político, que apresenta as celas como alguém que já morou numa delas. Nem todo grupo tem um, porque esses homens já estão idosos.
Ingressos e horários
A prisão está incluída na visita padrão, junto com o barco de ida e volta e o passeio de ônibus pela ilha. Você pode reservar o ferry com visita à prisão na Tiqets a partir de € 42,50, e o ingresso chega no celular em poucos minutos; se as datas ainda não estão definidas, o ingresso flexível de € 65 pode ser cancelado ou remarcado sem custo até 24 horas antes. De 1º de setembro a 30 de abril, os barcos saem às 9h, 11h, 13h e 15h; de 1º de maio ao fim de agosto, às 9h, 11h e 13h, se o tempo permitir. As outras formas de visitar, do passeio com transfer do hotel aos dias inteiros na Cidade do Cabo, estão na nossa página de ingressos para Robben Island, e a travessia tem um guia próprio: o ferry para Robben Island.
Como a visita segue um horário fixo, você pode calcular com antecedência a que horas vai estar de volta à cidade:
Que horas eu volto ao Waterfront?
Escolha o horário de saída do barco:
Escolha um horário e mostramos quando você estará de volta.
Estimativa para uma visita de 3h30 a 4 horas. Horários da alta temporada, se o tempo permitir.
Antes de ir
Leve passaporte, carteira de identidade ou carteira de motorista: o documento é pedido no embarque. Chegue ao Gateway pelo menos 30 minutos antes da saída, porque o acesso fecha 10 minutos antes de o barco partir. Dentro da prisão, fotos para uso pessoal são permitidas; drones e tripés, não. Se você quer entender a instituição que cuida da prisão hoje, e as outras visitas que ela oferece, leia a nossa página sobre o Robben Island Museum.
Prisão de Robben Island: perguntas frequentes
Robben Island ainda é uma prisão?
Não. Os últimos presos políticos saíram em maio de 1991, e a prisão de segurança média, a dos presos comuns, fechou em 1996. A ilha virou museu em 1997 e patrimônio mundial da UNESCO em 1999.
Quando a prisão de Robben Island foi construída?
A prisão de segurança máxima foi erguida no começo dos anos 1960 por presos políticos e comuns, com pedra das pedreiras da própria ilha. Enquanto a obra não terminava, os presos ficavam em prédios mais antigos, como o Ou Tronk, um conjunto de barracões de madeira da Segunda Guerra Mundial.
Quem ficou preso em Robben Island?
Durante o apartheid, os homens que lideravam a luta contra o regime: Nelson Mandela, Walter Sisulu, Ahmed Kathrada, Govan Mbeki, Robert Sobukwe e dois futuros presidentes, Jacob Zuma e Kgalema Motlanthe. Séculos antes, a ilha já tinha recebido o líder khoikhoi Autshumato, o líder xhosa Makhanda e líderes religiosos muçulmanos desterrados das Índias Orientais.
Onde fica a prisão de Robben Island?
Em Robben Island, na Table Bay, a cerca de 11 km da Cidade do Cabo e a pouco menos de 7 km da praia de Bloubergstrand. A prisão fica a oeste de Murray's Bay Harbour, o porto onde atraca o barco do museu.
Dá para ver a cela de Nelson Mandela?
Sim. A visita padrão termina na seção B, diante da cela onde Mandela dormiu de 1964 a 1982. O museu não divulga o número da cela, por isso você pode encontrar números diferentes em guias diferentes.
Quem guia a visita à prisão?
Muitas vezes, um ex-preso político. Mas não em todos os grupos: os homens que ficaram presos aqui já são idosos, e algumas visitas são conduzidas por funcionários do museu.
Como os presos eram tratados em Robben Island?
Com dureza. Faziam trabalho forçado nas pedreiras, os presos africanos recebiam menos comida e usavam calça curta, ninguém ganhava roupa de baixo e todos dormiam em esteiras no chão até as camas chegarem, em 1979. Na seção C havia isolamento e dieta reduzida. As condições só melhoraram aos poucos, depois de uma greve de fome em massa em 1966 e das petições e ações na Justiça movidas pelos próprios presos.
Quantos presos políticos passaram por Robben Island?
A exposição on-line do Robben Island Museum fala em mais de 3.000 presos políticos entre 1961 e 1991. Eles vinham de vários movimentos de libertação, e depois do levante de Soweto, em junho de 1976, chegou uma nova leva de presos jovens.
Os presos de Robben Island podiam receber visitas?
Raramente, e sem contato. As visitas aconteciam atrás de um vidro grosso no Visitors Centre, perto do porto, e a conversa passava por um sistema de som. A partir de 1975, só parentes de primeiro grau podiam ir. Os presos da categoria A só tiveram visitas com contato a partir de 1983.
Como os presos ficavam sabendo das notícias?
Notícias eram proibidas, então os presos as conseguiam escondido e as passavam de uma seção para outra. O museu inclui essa rede clandestina de informação entre as formas de resistência dentro da prisão, ao lado das greves de fome e das discussões políticas.
Como reservar a visita à prisão de Robben Island?
A prisão faz parte da visita padrão a Robben Island, junto com o barco e o passeio de ônibus pela ilha. Você pode reservar o ferry com visita à prisão na Tiqets a partir de € 42,50, e o ingresso chega no celular em poucos minutos. Se as datas ainda não estão certas, o ingresso flexível de € 65 pode ser cancelado ou remarcado sem custo até 24 horas antes.
Andrea SemonellaNascido e criado em Gênova, na Itália, é cofundador da Benicool, que publica guias independentes dos grandes lugares de cultura do mundo. Já viajou por todos os continentes e conta como visitar esses lugares aproveitando bem o tempo e o dinheiro.
Retratos dos presos mais conhecidos, recortados e em preto e branco: Mandela, Kingkongphoto & www.celebrity-photos.com, 1994, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons; Sisulu, Commonwealth of Learning, 1991, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons; Sobukwe, fotógrafo desconhecido, antes de 1960, domínio público, via Wikimedia Commons; Zuma, Etienne Ansotte, 2012, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons; Motlanthe, Jesse B. Awalt, 2009, domínio público, via Wikimedia Commons; Toivo ja Toivo, Namibia Media Initiative, 2012, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
Nelson Mandela em Robben Island
O passeio a Robben Island
História de Robben Island